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Dunning-Kruger

O Efeito Dunning-Kruger: Quando a Ignorância Gera Confiança

02 de agosto de 2024, às 13:07hrs
Por Rodrigo Ipolito, na Redação em Belo Horizonte, Brasil.

Você já se pegou pensando, “Nossa, como é que alguém pode ser tão confiante e tão ruim ao mesmo tempo?” Bem, isso tem nome, e não é só incompetência. Estamos falando do Efeito Dunning-Kruger. E antes de você torcer o nariz e achar que isso é mais um termo acadêmico chato, se liga só. Isso é real, é estranho e, acredite, acontece o tempo todo ao nosso redor.

Vamos imaginar o seguinte: você tá num churrasco com seus amigos e tem aquele cara que, do nada, resolve ser o especialista em todos os assuntos. Futebol, política, economia, ciência... tudo! Só que, quanto mais ele fala, mais fica claro que ele não manja nada do que tá dizendo. Pois é, ele foi fisgado pelo Efeito Dunning-Kruger. Esse fenômeno psicológico diz que pessoas menos competentes em uma área têm a tendência de superestimar suas habilidades. E, ao mesmo tempo, os que realmente são bons subestimam suas próprias capacidades. Louco, né?

Já parou pra pensar que, às vezes, somos meio esse cara do churrasco? Tipo, você assistiu uns vídeos no YouTube sobre um tema e já acha que virou especialista. “Ah, eu sei fazer isso aí, moleza!” E aí você vai lá e quebra a cara. E olha, acontece com todo mundo. Até com os melhores.

Essa teoria surgiu com dois psicólogos, David Dunning e Justin Kruger, lá nos anos 90. Eles perceberam que pessoas menos habilidosas sofriam de um problema: elas não tinham a capacidade de reconhecer a própria incompetência. É como se a própria ignorância fosse um escudo que as impedia de perceber o quão ruim elas eram em algo.

E aí, não é que eles se contentam em ser ruins? Não, eles vão lá e acham que são ótimos! O resultado? Pessoas menos habilidosas acabam dominando discussões, tomando decisões importantes e, muitas vezes, fazendo cagada. Quem nunca viu um chefe que não sabe nada, mas acha que sabe tudo? Pois é, o Efeito Dunning-Kruger em ação.

Já deu pra sacar que isso pode ter consequências bem sérias, né? Imagine um médico que não sabe diagnosticar uma doença, mas acha que sabe. Ou um engenheiro que não manja das construções, mas insiste que tá tudo certo. A gente tá falando de vidas em risco, de prédios caindo. E, sim, isso é mais comum do que gostaríamos.

Agora, não pense que isso é coisa só dos outros. Todo mundo, em algum momento, já foi vítima desse efeito. Tipo quando você resolve fazer aquela receita complicada e acaba com um desastre culinário. Ou quando você decide que vai investir na bolsa porque leu meia dúzia de artigos e perde uma grana. A ignorância gera uma confiança falsa que pode levar a erros graves.

Mas calma, porque tem jeito de dar uma minimizada nesse efeito. Primeiro, é reconhecer que ninguém sabe tudo. A humildade é uma ferramenta poderosa contra o Efeito Dunning-Kruger. Saber que você pode aprender, que tem sempre algo a mais para saber, já é um grande passo.

E se você tá pensando “ah, isso não é pra mim, eu sou muito esperto pra cair nessa”, bem, sinto te informar, mas você acabou de ser pego pelo próprio Dunning-Kruger. A questão é, sempre questione suas próprias habilidades e conhecimentos. Busque feedback, estude, e nunca ache que já sabe tudo. Porque, no fundo, a vida é um aprendizado contínuo. E, acredite, ninguém escapa de cair nessa armadilha da mente de vez em quando.

Quer um exemplo mais próximo? Dá uma olhada nas redes sociais. Quantas vezes você viu gente discutindo sobre vacinas, aquecimento global, ou qualquer outro tema complexo, com uma confiança absurda? E, muitas vezes, são pessoas que não têm nenhum embasamento científico. Aí você vai ver, estão só repetindo o que ouviram por aí, sem checar fontes, sem estudar a fundo. É o Dunning-Kruger fazendo festa.

E isso não é exclusividade de anônimos. Tem celebridade, político e até “especialista” que cai nessa. Você lembra do caso do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recomendando usar desinfetante contra o coronavírus? Pois é, uma combinação perigosa de ignorância e confiança.

E olha só, não tô dizendo que ser confiante é ruim, longe disso. Mas uma confiança bem fundamentada é baseada em conhecimento, estudo e prática. Agora, aquela confiança que vem da ignorância é que é o problema.

Então, o que a gente pode fazer pra não cair nessa? Primeiro, se informa. Ler, estudar, buscar fontes confiáveis. E, mais importante, estar aberto a mudar de opinião quando confrontado com novas informações. Porque, convenhamos, quem acha que sabe tudo tá fadado a errar feio.

E, claro, ajuda ter um círculo de amigos ou colegas que sejam honestos e que possam te dar um feedback sincero. Porque, às vezes, a gente tá tão imerso na nossa bolha que não percebe as próprias falhas. Um toque de um amigo pode te salvar de muitas gafes.

Se liga na história do Arthur. Ele era um cara normal, que trabalhava numa empresa de marketing. Decidiu que queria aprender a programar. Fez uns cursos online, viu uns tutoriais, e já saiu dizendo que era programador. Foi se meter num projeto grande, achando que tava arrasando. Resultado? Deu ruim, claro. Mas o importante foi que ele aprendeu com isso. Reconheceu que tinha muito mais pra aprender e se dedicou. Hoje, é um excelente programador. E tudo começou com ele aceitando que não sabia tanto quanto achava.

Agora, pra encerrar, fica aqui a minha reflexão pessoal. O Efeito Dunning-Kruger é um baita tapa na cara do ego. Ele nos lembra que a gente nunca pode parar de aprender. Que a humildade é essencial no caminho do conhecimento. E que, muitas vezes, a verdadeira sabedoria tá em reconhecer o quanto a gente ainda não sabe.

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