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O Que Aconteceu Com o The Victoria's Secret Fashion Show?

Declínio e Reinvenção do Victoria's Secret Fashion Show

Descubra o que levou ao declínio do icônico Victoria's Secret Fashion Show, desde mudanças culturais e controvérsias internas até a ascensão de concorrentes inovadoras. Saiba como a marca está tentando se reinventar e alinhar-se aos valores modernos de inclusão e diversidade. Por Rodrigo Ipolito, em 19/05/2024.

O Que Aconteceu Com o The Victoria's Secret Fashion Show?
O Ascenso e a Glória

O Victoria's Secret Fashion Show era, sem dúvida, um dos eventos mais esperados do calendário da moda. Desde sua estreia em 1995, o show se tornou sinônimo de glamour, opulência e, claro, de algumas das supermodelos mais icônicas do mundo, como Gisele Bündchen, Adriana Lima e Heidi Klum. O desfile anual não era apenas um show de moda; era um espetáculo que misturava música ao vivo, performances de grandes artistas e uma produção cinematográfica de tirar o fôlego.

Durante anos, a marca Victoria's Secret dominou o mercado de lingerie com campanhas publicitárias ousadas e uma imagem de luxo acessível. Os "Angels", como eram chamadas as modelos da marca, se tornaram ícones da cultura pop, com asas extravagantes e sorrisos brilhantes. O show de moda era o ponto culminante dessa estratégia, transmitido em rede nacional de TV, atraindo milhões de espectadores e definindo tendências no mercado de moda íntima.

A Queda

Porém, o que subiu vertiginosamente começou a desmoronar rapidamente. Em 2019, a Victoria's Secret anunciou que o seu icônico desfile de moda não seria mais transmitido na TV. Essa decisão marcou o fim de uma era e levantou muitas questões sobre o que deu errado. Diversos fatores contribuíram para a queda do evento, e vamos explorar cada um deles detalhadamente.

Mudanças Culturais e Sociais

Uma das principais razões para o declínio do Victoria's Secret Fashion Show foi a mudança nas atitudes culturais e sociais em relação à beleza e inclusão. A sociedade começou a questionar os padrões de beleza irreais promovidos pela marca. O desfile, que outrora era aclamado por sua grandiosidade e glamour, começou a ser criticado por sua falta de diversidade e inclusão.

Os consumidores modernos, especialmente os mais jovens, começaram a demandar mais representatividade. As mulheres queriam ver corpos reais, de todas as formas e tamanhos, refletidos nas campanhas de lingerie. Marcas concorrentes, como a Aerie, responderam a essa demanda promovendo a aceitação corporal e a diversidade, ganhando assim a simpatia e a lealdade dos consumidores.

Controvérsias Internas

Além das mudanças externas, a Victoria's Secret também enfrentou controvérsias internas significativas. Em 2018, Ed Razek, então diretor de marketing da empresa, fez comentários controversos em uma entrevista, sugerindo que o desfile não deveria incluir modelos transgênero ou plus size porque esses corpos não se enquadravam na "fantasia" da marca. Esses comentários foram recebidos com intensa reação negativa e prejudicaram ainda mais a reputação da empresa.

Essas declarações vieram em um momento em que a inclusão e a diversidade estavam no centro das discussões sociais. Muitas pessoas consideraram os comentários de Razek como antiquados e insensíveis, alienando ainda mais a base de consumidores da marca.

Declínio nas Vendas e Desempenho Financeiro

A queda do Victoria's Secret Fashion Show também foi um reflexo do desempenho financeiro da marca. As vendas começaram a cair, e a empresa lutou para se manter relevante em um mercado cada vez mais competitivo. A pressão para se adaptar às novas demandas dos consumidores foi intensa, e a marca parecia estar presa em uma identidade antiquada.

Enquanto outras marcas de lingerie e moda íntima prosperavam com campanhas inclusivas e estratégias digitais inovadoras, a Victoria's Secret parecia ficar para trás. Os consumidores começaram a ver a marca como desatualizada e desconectada da realidade moderna.

Concorrência e Inovação

Marcas emergentes como Savage X Fenty, de Rihanna, trouxeram uma abordagem revolucionária para o mercado de lingerie. Savage X Fenty não só promoveu a inclusão com uma variedade impressionante de tamanhos e representações de diferentes tipos de corpo, mas também transformou o conceito de desfile de moda com eventos vibrantes e inovadores que misturavam moda, música e performance de uma maneira autêntica e inclusiva.

O show de Savage X Fenty, transmitido em plataformas de streaming como o Amazon Prime, ofereceu um contraste gritante com o Victoria's Secret Fashion Show. A abordagem moderna e inclusiva de Rihanna conquistou o público e destacou ainda mais as falhas da Victoria's Secret em evoluir.

Reestruturação Corporativa

Em um esforço para recuperar o terreno perdido, a Victoria's Secret passou por uma reestruturação corporativa. Em 2020, Les Wexner, o então CEO da L Brands (empresa-mãe da Victoria's Secret), anunciou sua aposentadoria, e a marca começou a tomar medidas para reformular sua imagem e estratégias.

A empresa começou a contratar novos executivos com mentalidades mais modernas e a implementar mudanças em suas campanhas publicitárias. No entanto, o dano à reputação da marca já havia sido significativo, e recuperar a confiança dos consumidores provou ser um desafio árduo.

O Futuro da Victoria's Secret

Apesar dos desafios, a Victoria's Secret está tentando se reinventar. Em 2021, a marca anunciou a criação do "VS Collective", um grupo de mulheres inspiradoras, incluindo atletas, ativistas e empreendedoras, para ajudar a redefinir o que significa ser um "Angel" da Victoria's Secret. Esta mudança de estratégia visa alinhar a marca com os valores contemporâneos de inclusão e empoderamento.

Além disso, a empresa tem investido em campanhas que celebram a diversidade e a autenticidade. A Victoria's Secret está tentando mostrar que pode se adaptar aos tempos modernos e responder às críticas que enfrentou nos últimos anos.

Reflexões Finais

O declínio do Victoria's Secret Fashion Show é um lembrete poderoso de como as marcas precisam evoluir com as mudanças culturais e sociais para permanecerem relevantes. O que uma vez foi visto como o auge do glamour e da beleza, agora é um exemplo de como a falta de adaptabilidade pode levar à queda.

A história da Victoria's Secret também destaca a importância da inclusão e da representação autêntica na moda. Os consumidores modernos não querem apenas ver fantasias; eles querem ver a si mesmos refletidos nas campanhas e nas marcas que apoiam. Eles buscam autenticidade, diversidade e marcas que compartilhem seus valores.

O futuro da Victoria's Secret depende de sua capacidade de abraçar essas mudanças e se reinventar de uma maneira que ressoe com o público contemporâneo. A marca tem um legado poderoso e uma oportunidade única de se transformar e recuperar sua posição no mercado. Se conseguirá ou não, só o tempo dirá, mas uma coisa é certa: o mundo da moda está assistindo atentamente.

Conclusão

O Victoria's Secret Fashion Show, outrora um evento de moda icônico, viu seu declínio devido a uma combinação de mudanças culturais, controvérsias internas, queda nas vendas e uma concorrência inovadora. A marca, porém, está se esforçando para se reinventar e alinhar-se aos valores contemporâneos de inclusão e autenticidade. Se a Victoria's Secret conseguirá recuperar seu prestígio e relevância, dependerá de sua capacidade de adaptar-se e evoluir em um mercado em constante mudança.

E, para além das passarelas, a lição aqui é clara: a moda, assim como qualquer outra indústria, deve refletir a diversidade e os valores da sociedade em que está inserida. A beleza está na autenticidade, na inclusão e na capacidade de se conectar genuinamente com as pessoas. E isso é algo que todas as marcas deveriam ter em mente ao navegar pelos desafios e oportunidades do mundo moderno.