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Pigmentos

Como Ingredientes Antigos Moldaram a Beleza Moderna

29 de julho de 2024, às 14:58hrs
Por Rodrigo Ipolito, na Redação em Belo Horizonte, Brasil.

E aí, já parou pra pensar de onde vem aquelas cores maravilhosas que a gente usa na maquiagem? Parece até mágica, né? Mas a história por trás dos pigmentos é bem mais antiga e interessante do que se imagina.

Quando a gente olha pra um batom vermelho ou uma sombra azul, a gente mal pensa em toda a trajetória histórica que esses pigmentos percorreram até chegar ali, no nosso necessaire. A verdade é que desde tempos imemoriais, os seres humanos têm usado a natureza como fonte de beleza. E olha só que curioso: muitos dos ingredientes que a gente considera modernos na verdade têm raízes bem antigas.

Então, imagina só você, na antiguidade, tentando descobrir o que pode usar pra dar uma corzinha no rosto. Será que as pessoas lá atrás se sentiam empoderadas como a gente se sente hoje quando passamos um batom bem vibrante? Difícil não se perguntar isso, né? E não há dúvida de que os antigos eram mestres em transformar elementos naturais em verdadeiras obras de arte na pele.

Um dos pigmentos mais antigos e fascinantes é o ocre. Sim, aquele pozinho amarelo-avermelhado que já foi usado em pinturas rupestres e acabou virando um dos queridinhos da beleza na antiguidade. Os egípcios, por exemplo, não viviam sem ele. Eles tinham uma verdadeira fixação pelo vermelho, e o ocre era um dos pigmentos mais usados pra conseguir aquela tonalidade desejada. Até Cleópatra, rainha que não deixava passar um truque de beleza, usava ocre nos lábios. Dá pra acreditar?

E falando em Cleópatra, como não mencionar o khol? Esse pigmento preto, que é a cara da maquiagem egípcia, era feito de uma mistura de carvão, metais e minerais triturados. E o legal é que além de deixar os olhos bem marcados, o khol também tinha uma função protetora contra o sol forte e até contra infecções. Quem diria que a maquiagem antigamente também era um item de saúde, né? E, olha só, essa prática do khol se espalhou pelo mundo e continua influenciando a maquiagem até hoje. Aquele delineado gatinho que a gente adora tem raízes bem antigas!

Já os gregos e romanos tinham uma verdadeira adoração por um pigmento chamado cinábrio. Ele era usado pra criar uma cor vermelha intensa, que era supervalorizada na época. Mas o detalhe é que o cinábrio é, na verdade, um mineral bem tóxico, o sulfeto de mercúrio. E o mais impressionante é que mesmo sabendo dos riscos, as pessoas continuavam usando. Tudo em nome da beleza! Acho que podemos dizer que desde sempre as pessoas se arriscaram bastante pra ficarem mais bonitas.

A coisa não parou por aí. Com o passar dos séculos, novos pigmentos foram descobertos e começaram a fazer parte da rotina de beleza. Na Idade Média, por exemplo, a alvaiade (óxido de chumbo) era o queridinho das mulheres nobres. Ele dava aquele efeito branco porcelana que era sinônimo de riqueza e status. Mas, claro, assim como o cinábrio, o alvaiade também era altamente tóxico. Só que, na busca pela beleza perfeita, os riscos eram muitas vezes ignorados.

E não podemos esquecer do carmim, um pigmento vermelho vibrante obtido dos insetos cochonilhas. Sim, insetos! Essa técnica foi desenvolvida pelos povos da América Central e do Sul e, quando os europeus chegaram por lá, ficaram maravilhados com a intensidade da cor. E assim, o carmim ganhou o mundo e até hoje é usado em cosméticos. Então, se você já usou um batom vermelho bem intenso, há grandes chances de ele ter um pouco dessa história nele.

Aí você me pergunta, e os pigmentos naturais de hoje? Será que ainda usamos esses ingredientes antigos? A resposta é um sonoro sim! Claro que a tecnologia evoluiu muito, e hoje temos uma infinidade de opções sintéticas e naturais que são seguras e eficazes. Mas os princípios permanecem os mesmos. A busca por ingredientes que possam oferecer cores vibrantes e duradouras continua, e muitos desses pigmentos têm raízes históricas.

Vamos falar, por exemplo, da cúrcuma. Essa raiz, que é mais conhecida por dar aquele toque especial nas receitas, também é um pigmento fantástico. Os indianos já usavam a cúrcuma na pele há milhares de anos, e suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes são um bônus que continua a fazer sucesso. Quem diria que um ingrediente de cozinha também pode ser um aliado na maquiagem, né?

E tem também a beterraba. Esse vegetal não só é ótimo pra saúde como também fornece um pigmento vermelho lindo que pode ser usado em batons e blushes. A beterraba é um exemplo de como a natureza pode ser generosa, fornecendo beleza e nutrição ao mesmo tempo. E o mais bacana é que esses pigmentos naturais são seguros e amigos do meio ambiente.

Falando em sustentabilidade, hoje há um movimento crescente de volta aos ingredientes naturais, não só pelo apelo estético, mas também pelo cuidado com a saúde e o meio ambiente. Marcas como a brasileira Bioart e a americana Axiology são exemplos de empresas que buscam criar produtos de beleza que respeitam a natureza e as pessoas. Essas marcas têm investido em pesquisas para redescobrir pigmentos naturais e desenvolver fórmulas que não agridem o planeta.

Mas vamos combinar que, no fundo, a busca pela beleza é uma constante na história humana. Desde os primeiros humanos que se pintavam com ocre até as grandes marcas de hoje que buscam fórmulas perfeitas, a essência é a mesma. O desejo de se expressar, de se sentir bem, de se conectar com algo maior. E, convenhamos, isso é bonito demais.

Então, da próxima vez que você pegar aquele batom vermelho ou aquela sombra azul, lembre-se de que você está se conectando com uma longa tradição de beleza que atravessa os tempos. E quem sabe, até se inspirar pra experimentar algo novo, um pigmento natural, talvez. Porque a beleza é isso, uma mistura de história, ciência e, claro, um toque pessoal que só você pode dar.

Ah, e se for usar cúrcuma ou beterraba, cuidado pra não manchar tudo em volta, tá? Porque uma coisa é certa, pigmentos naturais são lindos, mas podem dar um trabalhinho extra. Mas no fim, vale a pena. Afinal, a beleza natural tem um charme todo especial, não é mesmo?

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